34 anos
Elder Dias
Cinco perguntas para Thiago Arantes

Nascido em Goiânia há 29 anos, Thiago Arantes carrega no sangue o gosto pelo jornalismo — é filho de Orlando Carmo Arantes, uma das referências da redação de “O Popular” durante décadas, que morreu em 2006. Jornalista da ESPN Brasil, já passou por “Folha de S. Paulo”, Grupo Estado e “Quatro Rodas”. Pelo portal da ESPN, cobriu a Copa do Mundo de 2010, os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, a final da Copa Sul-Americana entre Goiás (único time por que torce) — e Independiente e a primeira edição do UFC no Rio. Trabalhou em três edições do GP do Brasil (na foto, Thiago entrevista o ex-piloto Jackie Stewart, escocês tricampeão mundial de F-1 em 1969, 1971 e 1973), em 2008, 2009 e 2011.

Você nasceu em Goiânia e fez praticamente toda a carreira fora da cidade, mas acompanha o que acontece por aqui. Como você vê o momento atual do jornalismo goiano?
Gostaria de ter tempo de acompanhar muito mais o que acontece por aí. Por isso, minha avaliação acaba sendo uma mistura do que era na minha época e do que meus amigos contam que acontece hoje em dia. O mercado, pelo que acompanho, ainda é menor do que poderia ser. E os salários, também. A falta de opções e os salários baixos causam uma série de problemas. Um deles é o fato de profissionais fazerem jornada dupla, atuando em jornais e assessorias ao mesmo tempo, o que não é o melhor dos cenários. Outro é que, sem conseguir pagar bons salários, os meios de comunicação perdem jornalistas experientes e repórteres recém-saídos das faculdades se tornam editores. Muitas vezes perdem-se repórteres de ótimo futuro em nome de editores sem vivência. Um terceiro problema, maior do que os dois anteriores: há muitos meios que dependem de anúncios do governo; outros vão além disso e giram em torno do governo. Não há como isso não afetar a independência jornalística.

Trabalhar com esporte é uma opção desejada e procurada ou isso ocorreu por acaso?
Sempre foi meu sonho. Houve épocas em que eu dizia que preferia trabalhar com esporte fora do jornalismo a trabalhar com jornalismo fora do esporte. É bem aquela história do esportista frustrado. Nunca tive talento para ser atleta olímpico, piloto de Fórmula 1 ou para jogar uma Copa do Mundo. Como jornalista, consigo viver esses eventos. Sou pago para fazer o que sempre gostei de fazer.

Como você classifica o trabalho da ESPN Brasil diante dos demais veículos de esporte?
A ESPN Brasil é, antes de tudo, independente. É uma emissora — e também uma rádio, um site, uma revista — que não deve favores aos poderosos do esporte. Se há algo errado com a organização da Copa de 2014, você ficará sabendo pela ESPN; se houve alguma iniciativa interessante nas cidades-sede, também. Um dos slogans da emissora diz que “informação é o nosso esporte”. É a definição perfeita.

Ser jornalista esportivo faz você ter uma visão diferente da de um cidadão comum sobre a realização da Copa do Mundo no Brasil, em relação ao contexto em que o evento ocorre?
Não sei se a minha visão é diferente da de um cidadão comum. Não acho que seja. O cidadão comum quer ver os impostos bem empregados, quer que um evento como a Copa traga melhorias no sistema de transportes, na saúde, na educação. O cidadão comum se revolta quando vê que está sendo roubado, certo? Então a minha visão não difere muito nesse sentido. O que muda, creio, é certa “autoridade técnica” que poderia ter para falar de estádios. Estive na Copa de 2010, na África do Sul, e digo sem dúvida alguma: o Brasil não precisava construir estádios para sediar a Copa. A África construiu elefantes brancos e revitalizou arenas antigas. O Ellis Park, onde o Brasil enfrentou Coreia do Norte e Chile, não é melhor nem pior do que o Serra Dourada que vi no amistoso Brasil x Holanda, no ano passado.

Seu pai foi um grande nome do jornalismo impresso em Goiás. Como ele influenciou em sua escolha da carreira?
Ele influenciou sem querer. Houve uma época da minha infância em que ele fazia alguns trabalhos em casa. Eu assistia e ficava intrigado com aquela história de escrever na máquina, de os textos saírem no jornal. Uma vez, aos 13 anos, perguntei para ele o que ele queria que eu fosse. “Qualquer coisa, menos jornalista”. Foi o incentivo de que eu precisava. Conhecendo ele como eu conhecia, era lógico que ele gostaria de me ver jornalista. Quando fui fazer vestibular, disse a ele que eu gostaria de ir para Brasília, para estudar na UnB. Ele incentivou e disse “lá você vai ser o Thiago, aqui você será o filho do Orlando”. Hoje eu sou as duas coisas e devo isso a ele.