37 anos
Edição 1988 de 11 a 17 de agosto de 2013
Irapuan Costa Junior
Fatos decisivos da Segunda Guerra
Neste mês fazem 70 anos que ocorreram três fatos importantes na virada da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Não era, naquele agosto de 1943, o fim da guerra, nem mesmo o começo do fim, mas era o fim do começo. Essas ha­viam sido as palavras de Wins­ton Churchill poucos meses antes, após a vitória aliada sobre Rommel, em El Alamein, no norte da África.

A Alemanha nazista, que colhera vitórias durante quatro anos de guerra, agora haveria de colecionar derrotas. O primeiro dos três fatos foi o sucesso, após duros combates, do desembarque aliado na Sicília. Com esse acontecimento, os italianos, contemplando o desastre próximo, declararam Roma cidade aberta. Isso teve grande impacto psicológico sobre as forças do Eixo. Foi o segundo fato importante daquele ano de 1943.

O terceiro foi o bombardeio inglês sobre a base alemã de foguetes de Peenemünde, na Pomerania Ocidental. Os alemães desde então não lançariam mais, sem contra-ataques, suas bombas V-2 sobre Londres e Anvers.

Por falar na Segunda Guerra, Liev Trotski fez falta à URSS antes e durante a mesma. Tinha uma visão de futuro mais acurada que Lênin e Stálin. Ou havia estudado mais a Europa. Stálin não acreditava numa invasão alemã. Como colaborava estreitamente com Hitler, e ambos se admiravam, nunca acreditou, nem na véspera, quando mandou fuzilar um desertor alemão, um soldado comunista que chegou às linhas russas para dar o alarme. Ficou três dias em estado de choque, quando os alemães atravessaram a fronteira, e quase renunciou.

Stálin não só não contava com um ataque, como tinha planos de médio prazo para se armar e invadir a Alemanha nazista. Trotski já alertava para a possibilidade dessa invasão alemã mesmo antes da subida de Hitler ao poder. Em novembro de 1931 (Hitler se tornou chanceler em 1933), o ucraniano já afirmava: “Está na Alemanha a chave da situação internacional. A vitória do fascismo na Ale­ma­nha determinará inevitavelmente uma guerra contra a URSS... Nesse caso ela [Alema­nha] agirá, bem entendido, em contato com a Polônia e a Romênia, com outros Estados limí­trofes, e no Extremo Oriente, com o Japão... Não se trata de adivinhar (o que aliás seria impossível) como terminaria um conflito de tão formidáveis dimensões.”
 
Já exilado na Turquia, Trotski acompanhava de perto os acontecimentos em uma Europa que em dez anos se incendiaria. Pode ter errado em alguns detalhes, em suas previsões, mas acertou no conjunto.