Edição 1905 de 8 a 14 de janeiro de 2012
Irapuan Costa Junior
A esquerda quer o desarmamento para acovardar a população
Enquanto o Ministério da Justiça renova campanha para recolher armas, plano para redução da criminalidade morre sem sair do papel
edgarlisboa.com.br
Ministro José Eduardo Cardozo patrocina a campanha de
desarmamento, mas engaveta a campanha para redução da
criminalidade

Ainda não é o cúmulo do absurdo, mas os absurdos vão se acumulando. O ministro interino da Justiça anuncia que renova a campanha para recolher armas da população ordeira e que tem verba para pagamento à vista das armas obsoletas e inofensivas adquiridas. Enquanto isso, vem do mesmo ministério a notícia de que foi engavetado o plano anunciado no início do ano passado para redução da criminalidade. Era um plano de articulação com as polícias estaduais, que morre sem sair do papel, por falta de verba, isto é, daquele dinheiro que está sendo usado para nos desarmar. Mas, por outro lado, o plano não era lá grande coisa. Policiais e jornalistas, outro absurdo, não podem usar coletes à prova de balas de fuzil, o que já provocou tragédia.

O governo se cala, não diz o porquê. A questão do desarmamento, como a da censura à imprensa, é ideológica. A esquerda sabe muito bem que desarmar quem presta favorece o crime, em vez de reduzi-lo. Ela não é burra, tanto assim que sabe muito bem manejar a imprensa, embora ache pouco e queira calá-la. Sabe manejar as ONGs e com elas fazer dinheiro (público, de preferência). Soube inventar o mensalão e aparelhar o Executivo federal, enquanto achatava e desmoralizava os outros poderes. Sabe usar o dinheiro público para campanhas sociais que não reduzem a miséria, mas dão votos. Ela sabe que até a ONU, desarmamentista desde muito, premida pelos fatos, e não tendo como insistir na mentira, reconheceu que o desarmamento da população não diminui os assassinatos. Mas, para quem tem vocação totalitária, uma sociedade capaz de reagir mete medo. É preciso fazê-la inerme e acovardada.

Talvez o leitor não tenha atentado bem para alguns fatos, mas a esquerda não os perde de vista. Por exemplo: ela anuncia que recolheu 36 mil armas na sua campanha. Ora, só num dia, na véspera do Natal, foram vendidas 105 mil armas nos EUA. No mês de dezembro, foram comercializadas 1,5 milhão de armas naquele país, 40 vezes o que arrecadou a ridícula campanha de Cardozo e companhia. E os assassinatos lá nos EUA, aumentaram com tantas armas entrando em circulação? Nem um pouquinho, e continuam na faixa de 30% da média brasileira. Será que as esquerdas não sabem disso, sabidas como elas são? Duvido.
De novo, as enchentes, a inércia oficial e a oposição quieta

Já começam as inundações e desabamentos deste ano, enquanto pouco ou nada se fez para corrigir os estragos das enchentes e desastres do ano passado e tomar medidas preventivas que pudessem amenizar o que está acontecendo. Parte da verba destinada a socorrer os atingidos de um ano atrás sumiu na garganta da corrupção. E a oposição, salvo uma ou duas exceções, calada.

Meias verdades sobre a expulsão de padre

Está de volta ao Brasil o padre Vito Miracapillo, que foi expulso do País em 1980. As manchetes da imprensa são todas do tipo: “Volta ao Brasil, após 31 anos, o padre expulso pela ditadura”. Meias verdades. O padre já veio da Itália a passeio pelo menos uma dezena de vezes, desde sua expulsão, pois tem visto de turista e parece ter recursos para estar sempre flanando por aqui. Não foi “expulso pela ditadura”, até porque ninguém foi tão distante de um ditador quanto o presidente Figueiredo, que assinou o decreto de expulsão. Ditador era Fidel Castro, que em situação semelhante não expulsaria o italiano, mas o meteria na cadeia, onde ficaria pelo resto de seus dias. Ditador era Fidel, que não deixou o poder enquanto a saúde lhe permitiu mandar e desmandar (Figueiredo governou por cinco anos, doido para sair e cuidar de seus cavalos e entregou o poder aos civis).

Vale lembrar que a expulsão do italiano foi referendada pela unanimidade do Supremo, numa época em que ministro do STF era escolhido só pela competência jurídica, e nunca pelas sujidades do compadrio e das injunções políticas. E também lembrar que todas as providências jurídicas para evitar sua expulsão foram tomadas regularmente por seus advogados, até a decisão do Supremo, e todas as manifestações a seu favor ocorreram ruidosa e livremente.
E o motivo da expulsão não foi qualquer desfeita ao regime militar, mas ao Brasil. Ao se recusar a celebrar uma missa festejando nossa independência de Portugal, o atingido foi nossa história. Ao negar uma missa pela emancipação do município de Ribeirão, onde havia sido acolhido com a hospitalidade brasileira, nem de longe poder-se-ia dizer que o padre agredia o governo federal de então. Ele desrespeitava a pequena comunidade que lhe dava sustento e tolerava sua agressividade indevida de estrangeiro.

Quando da expulsão, o padre divulgou uma carta (Fidel Castro permitiria?) afirmando que “o povo estava reduzido à condição de pedinte e desamparado em seus direitos”. Deveria republicá-la, pois está atualíssima. Ou não estão reduzidos à condição de pedintes os beneficiários, em número cada vez maior, do Bolsa Família, sem porta de saída? E está o povo amparado em seus direitos à saúde, à educação e à segurança? Mas o padre Maracapillo não é difícil de engolir. Duro mesmo é tragar um bandido como Cesare Battisti.

De onde vem a fome

O espanhol “El País” publicou entrevista de uma professora que conseguiu fugir da Coreia do Norte e se refugiar na Coreia do Sul. O pessoal do PCdoB deveria lê-la. Fala de como o país é fechado e de como a fome assola a todos (menos, é claro, a plutocracia comunista). Como não há outra fonte de informação que não a ditadura comunista, já que todos os meios de divulgação e comunicação são proibidos, o povo pensa que a fome é provocada pela Coreia do Sul e pelos EUA. É Cuba fazendo escola.

Contos imperdíveis

O escritor francês Antoine Blondin (1922 – 1991) teve a ideia de organizar uma antologia de contos do Oeste, escritos pelo americano O. Henry (1862 – 1910), e a publicou em 1965. É sucesso de vendas até hoje. O. Henry (pseudônimo de William Sydney Porter) viveu no oeste americano ainda na época dos caubóis. Após alguns anos de prisão, por desfalque em um banco onde trabalhava, morou na Nova York da virada do século 19 para o século 20. É o maior contista americano (só Jack London pode se comparar) e escreveu, como todos os grandes autores, sobre seu ambiente. Ficou mais conhecido por suas histórias curtas passadas em Nova York e é um dos clássicos da literatura americana. Seu conto “The Gift of the Magi” – em português “O Presente dos Reis Magos” é presença obrigatória em qualquer antologia mundial de contos. Antoine Blondin teve a ideia de reunir contos ambientados fora de Nova York, fruto da vivência de O. Henry no faroeste, e fez o livro, com 17 brilhantes escritos. O. Henry e Antoine Blondin tiveram final igual: pobres e alcoólatras.

E o mensalão?

Este ano será o do julgamento do mensalão pelo Supremo? Ou as pressões enormes do governo e do PT conseguirão achatar a dignidade dos brasileiros? Já lá vão nove anos desde que José Dirceu deu sua célebre entrevista nas páginas amarelas de “Veja” (título: “De soldado a general”) nos ameaçando nas entrelinhas com o socialismo e se recusando a afirmar que acreditava em Deus. Que tenha o que merece, esperamos.