Edição 1937 de 19 a 25 de agosto de 2012
Rafael Jardim
Dicas para o bom eleitor
Inicia-se aqui uma série de textos com dicas para quem quer ser um “bom eleitor”. São dicas “0800” oferecidas por um cidadão comum

Com o início das campanhas no rádio e na TV, a campanha eleitoral começou pra valer. Por isso, achei por bem iniciar uma série de textos com algumas dicas para quem quer levar a democracia e as eleições a sério e exercer com rigor e inteligência o papel de cidadão. É uma série dirigida a todos aqueles que querem dormir com a consciência tranquila após depositar o voto na urna, mas se sentem confusos com tanta informação, tantos candidatos e tantos jingles e santinhos. É uma série, sobretudo, para quem quer votar com qualidade, mas não tem muito tempo para analisar tantos candidatos, históricos e propostas.

Uns poderiam imaginar que aquele que dá dicas deve ser um especialista no assunto, alguém que entende mais sobre determinado assunto do que as outras pessoas. Até faz sentido que seja assim, mas aviso: não é o caso aqui. Sou um eleitor e cidadão comum. E como todo mundo pode oferecer dicas, e de graça, quero utilizar o privilegiado espaço desta coluna para oferecer as minhas.

Nesse primeiro texto, discorro sobre três dicas que talvez eu considere entre as mais importantes para esse processo eleitoral, já deixando a ressalva de que não houve a pretensão de se dar exatamente uma ordem de importância a elas. Vamos ao que interessa.

Dica nº 1: Evite votar em alguém só porque um conhecido lhe pediu, ou então por “conhecer” o candidato
Essa dica vem em primeiro porque creio que, infelizmente, a grande maioria das pessoas vota assim. Não dá atenção ao processo eleitoral, não se envolve em nenhum momento e, pior, sente-se na obrigação de votar naquele parente distante ou no pai do amigo. Mesmo que mal o conheça.

Ocorre que, principalmente em eleições municipais, quase todo mundo conhece um ou mais candidatos, direta ou indiretamente. Se nas capitais isso é verdade, imagine então nos municípios pequenos. O problema não está em votar no candidato que é conhecido. O problema é votar porque é conhecido. Ou seja, o eleitor não conhece o sujeito politicamente, e não tem a mínima ideia do que ele pretende fazer se eleito. E se perguntado se o candidato é confiável, a resposta é sofrível: “Ah, acho que com certeza sim!”

Nos poucos processos eleitorais em que participei, sempre me deparei com candidatos que eram parentes distantes ou pais de amigos. Em apenas uma ocasião, ao votar para deputado estadual em 2010, optei pelo pai de um amigo. Não por sê-lo, mas porque ele se enquadrou em todos os critérios que estabeleci. Inclusive, tal amigo nem chegou a me pedir o voto. No dia da eleição, eu mesmo liguei para esse amigo e o avisei de minha opção.

A ideia é, portanto: se quiser votar em alguém que lhe é conhecido, tenha bons motivos para isso. Faça por acreditar nas suas ideias e por confiar que o candidato fará um bom trabalho. Do contrário, diga ao seu parente ou amigo que irá votar no seu candidato, e no dia da eleição, simplesmente não vote nele. Simples assim.

Dica nº 2: Cuidado ao votar em parentes (filhos, netos, sobrinhos...) de políticos tradicionais
Essa dica merece destaque em Goiânia, pois assim como nas últimas eleições para vereador, esta está cheia de candidatos parentes de políticos importantes no cenário regional. Geralmente, esses candidatos têm para eles uma mega estrutura de campanha, apoio maciço dentro do seu partido e muito dinheiro pra gastar. E o mais curioso: como a maioria é jovem, seus slogans trazem palavras como “renovação”, “novo” e “futuro”.

O problema é que, por mais que se possa admirar a trajetória de determinado político, o fato de alguém ser seu filho, neto ou sobrinho não quer dizer absolutamente nada. E quem vota nesses candidatos pensando em renovação comete um erro que não merece maiores explicações. Na verdade, o que se está fazendo é contribuindo para perpetuar no poder determinada família ou grupo político. Isso pode ser tudo, menos renovação.

Estou dizendo que não se deve votar nesses candidatos? Definitivamente, não. Mas não se deve votar em alguém pensando que está elegendo seu pai, tio ou avô. Muito menos é recomendável votar em alguém pelo seu sobrenome.

Conclusão: se você, eleitor, está pensando em votar em alguém que é parente e/ou discípulo de um político tradicional, saiba o que esse candidato pensa e quer, descubra o que e quem ele quer representar. Vote pelas suas ideias e propostas, não pelo seu sobrenome ou por confiar no seu avô.

Dica nº 3: Se não sabe por onde começar, assista à propaganda eleitoral gratuita, ao menos por uma semana
Pode ser um exercício doloroso assistir ao horário eleitoral, sobretudo nas campanhas para vereador. A quantidade de candidatos-palhaços (com mais ou menos tinta na cara) ou que não sabem o que fazem ali é insuportável. Mesmo assim, sobretudo para os indecisos, a propaganda gratuita na TV pode ser um instrumento de grande utilidade. Para mim, por exemplo, sempre foi determinante. Ora, como não escolho meu candidato pela brancura dos seus dentes ou pela melodia de um jingle, a TV acaba sendo um instrumento a mais para ajudar na minha escolha.

Nas últimas eleições, foi assim. Sem conhecer, a priori, nenhum candidato a vereador, foi assistindo à propaganda eleitoral que pude começar a fazer minha listinha de “candidatos que podem receber meu voto”. Nessa eleição, não será diferente. Inclusive, já no primeiro dia de propaganda na TV, já “pesquei” alguns candidatos a vereador, os quais estudarei com mais calma no momento oportuno. (A ressalva aqui é que isso funciona basicamente para os partidos maiores, pois os candidatos dos nanicos mal têm tempo para “pedir licença para entrar na sua casa”.)

Parece difícil, mas na realidade é fácil. Assistindo ao horário eleitoral, dá para ter uma ideia razoável de quem não é sério e quem parece ser sério. Para fazer isso, basta que o eleitor saiba minimamente o que ele quer do vereador que irá representá-lo. Portanto, se você é um daqueles eleitores que, como eu, sempre fica perdido quando começa a campanha, sente-se na cadeira e assista à propaganda na TV, ao menos por uma semana. Isso vai fazer a diferença (sempre faz comigo).
As dicas que abordarei em seguida complementam essa terceira dica. Semana que vem tem mais.