34 anos
Afonso Lopes
Hora de limpar as gavetas
Na Prefeitura e no Estado, cerca de 20 secretários e diretores devem deixar os cargos até o final de março para disputar as eleições deste ano
Fotos: Jornal Opção
Os tucanos Leonardo Vilela e Alexandre Baldy, no Estado, e os peemedebistas Paulo Borges e Célia Valadão, na Prefeitura, são alguns dos nomes que vão sair da administração por causa das eleições de outubro

Vai ser uma renovação e tanto na Prefeitura de Goiânia e no governo do Estado. Cerca de 20 secretários, presidentes de empresa e diretores devem deixar seus cargos até o final de março, mais tardar início de abril, para disputarem as eleições municipais deste ano. É muita gente. Isso significa que Estado e Prefeitura terão, digamos, uma nova cara administrativa depois disso? Que nada. Vai mudar alguma coisa, mas nada tão dramático que abale os reinos de Paulo Garcia e Marconi Perillo.

Existem secretários que ocupam funções meramente políticas, sem quase nenhum poder de decisão e interferência no processo administrativo. Tanto na Prefeitura quanto no Estado. Aliás, em todos os governos democráticos do mundo. Por­tanto, as mudanças agora não vão mexer estruturalmente com o eixo do poder central nem em um lado e nem no outro.

No Estado, dentre aqueles que podem deixar os cargos estão somente quatro secretários: Leo­nardo Vilela, do Meio Am­bi­ente; Alexandre Baldi, da Indústria e Comércio; Wellin­gton Valim, da Secretaria de Eventos; e Nédio Leite, Assun­tos Estra­tégicos. Estrategi­ca­men­­te, nenhum deles interfere ad­mi­nistrativamente no tal eixo das de­cisões. Exceção de Leo­nar­do Vi­lela, que vai reassumir deu mandato de deputado federal e que tem intimidade com o poder político dentro da cúpula do PSDB.

Na Prefeitura de Goiânia, três vereadores deixam secretarias e retornam aos seus mandatos: Pau­lo Borges, da Habitação; Si­meyson Silveira, da Integração Social; e Célia Valadão, da As­sis­tência Social. Exceção de Célia, que ocupou pasta de maior visibilidade, Paulo e Simeyson só fo­ram notícia quando entraram no governo e agora, ao deixarem os cargos. Além desses, Paulo vai ter que substituir também a secretária Neyde Aparecida, ex-deputada federal, na Educação, Sérgio Dias, ex-vereador, da Assessoria Especial, e Kleber Adorno, da Cul­tura. Vai surgir vaga também na assessoria de imprensa. Tay­rone di Martino deve ser candidato a vereador.

E, pronto, pode passar a régua e fechar as contas. Pode até surgir mais um nome aqui ou ali a­té o prazo final que resolva en­carar as urnas, mas nada que altere o tabuleiro dos governos. Po­de ser também que alguns desistam da empreitada eleitoral.

Mas se essas saídas não alteram os eixos do poder na Pre­fei­tura e no governo estadual, servem para mexer politicamente dentro das coalizões dos governos. Marconi e Paulo Garcia estão avaliando as condições que estão surgindo e devem aproveitar a situação para reforçar suas estruturas. Paulo, evidentemente, visa a reeleição deste ano. Marconi pode jogar com dois objetivos. O primeiro é também de curto prazo, a base aliada e as disputas municipais. O segundo, mais a longo prazo, a eleição estadual de 2014.

Dentre os que devem sair no Estado estão alguns nomes fortemente cotados em suas cidades. Wellington Valim, ex-deputado estadual e integrante do grupo li­derado pelo deputado federal Ro­berto Balestra, será candidato a prefeito de Inhumas. Tem boas chan­ces. Sebastião Ferro, da diretoria de Saúde do Ipasgo, tentará re­tornar ao comando da Prefei­tu­ra de Paraúna. Suas chances são re­lativamente menores do que a do seu colega de governo. Ou­tros dois ex-prefeitos, Itamar Leão, chefe de gabinete da Seg­plan, de San­clerlândia, e Odair Re­zende, da Assessoria Especial, de Qui­rinó­polis, também devem en­trar com bastante peso na disputa de prefeito.

O caso de Leonardo Vilela é es­pecial. Ele é o preferido do PSDB para a duríssima disputa con­tra a reeleição do prefeito Paulo Gar­cia, em Goiânia. Mas nem isso quer dizer tanta coisa assim. O de­putado estadual Fábio Sousa, pre­sidente do diretório metropolitano do partido, segue na disputa interna pela indicação. O de­putado federal João Campos, tucano mais bem votado em Goi­â­nia em 2010, também não jo­gou a toalha. As pretensões dos três não conseguem sair da sombra da quase unanimidade chamada senador Demós­tenes Torres. Se ele resolver ser candidato, ba­bau. Será ele.

Na Prefeitura, e no PT, a professora Neyde Aparecida deve tentar o retorno ao caminho dos mandatos. Ela chegou a ser de­putada federal no final do governo do então petista Darci Accor­si, mas não conseguiu se reeleger. Faz parte do grupo majoritário do PT em Goiânia, e é sem­pre uma concorrente de respeitável eleitorado. Resta saber se o longo período sem mandato não afetou essas bases. Os três ve­readores, Paulo Borges, Si­meyzon e Célia vão tentar a reeleição pela primeira vez. Paulo e Célia já foram suplentes. Se tornaram donos das vagas em 2008. Simeyson foi estreante. Célia e Paulo, pelo forte e vasto PMDB, vão ter concorrentes internos de peso e precisam de votação maior para não voltarem como suplentes. Simeyzon pode ter vida mais tranquila pelo PSC.