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Vai ser uma renovação e tanto na Prefeitura de Goiânia e no governo do Estado. Cerca de 20 secretários, presidentes de empresa e diretores devem deixar seus cargos até o final de março, mais tardar início de abril, para disputarem as eleições municipais deste ano. É muita gente. Isso significa que Estado e Prefeitura terão, digamos, uma nova cara administrativa depois disso? Que nada. Vai mudar alguma coisa, mas nada tão dramático que abale os reinos de Paulo Garcia e Marconi Perillo.
Existem secretários que ocupam funções meramente políticas, sem quase nenhum poder de decisão e interferência no processo administrativo. Tanto na Prefeitura quanto no Estado. Aliás, em todos os governos democráticos do mundo. Portanto, as mudanças agora não vão mexer estruturalmente com o eixo do poder central nem em um lado e nem no outro.
No Estado, dentre aqueles que podem deixar os cargos estão somente quatro secretários: Leonardo Vilela, do Meio Ambiente; Alexandre Baldi, da Indústria e Comércio; Wellington Valim, da Secretaria de Eventos; e Nédio Leite, Assuntos Estratégicos. Estrategicamente, nenhum deles interfere administrativamente no tal eixo das decisões. Exceção de Leonardo Vilela, que vai reassumir deu mandato de deputado federal e que tem intimidade com o poder político dentro da cúpula do PSDB.
Na Prefeitura de Goiânia, três vereadores deixam secretarias e retornam aos seus mandatos: Paulo Borges, da Habitação; Simeyson Silveira, da Integração Social; e Célia Valadão, da Assistência Social. Exceção de Célia, que ocupou pasta de maior visibilidade, Paulo e Simeyson só foram notícia quando entraram no governo e agora, ao deixarem os cargos. Além desses, Paulo vai ter que substituir também a secretária Neyde Aparecida, ex-deputada federal, na Educação, Sérgio Dias, ex-vereador, da Assessoria Especial, e Kleber Adorno, da Cultura. Vai surgir vaga também na assessoria de imprensa. Tayrone di Martino deve ser candidato a vereador.
E, pronto, pode passar a régua e fechar as contas. Pode até surgir mais um nome aqui ou ali até o prazo final que resolva encarar as urnas, mas nada que altere o tabuleiro dos governos. Pode ser também que alguns desistam da empreitada eleitoral.
Mas se essas saídas não alteram os eixos do poder na Prefeitura e no governo estadual, servem para mexer politicamente dentro das coalizões dos governos. Marconi e Paulo Garcia estão avaliando as condições que estão surgindo e devem aproveitar a situação para reforçar suas estruturas. Paulo, evidentemente, visa a reeleição deste ano. Marconi pode jogar com dois objetivos. O primeiro é também de curto prazo, a base aliada e as disputas municipais. O segundo, mais a longo prazo, a eleição estadual de 2014.
Dentre os que devem sair no Estado estão alguns nomes fortemente cotados em suas cidades. Wellington Valim, ex-deputado estadual e integrante do grupo liderado pelo deputado federal Roberto Balestra, será candidato a prefeito de Inhumas. Tem boas chances. Sebastião Ferro, da diretoria de Saúde do Ipasgo, tentará retornar ao comando da Prefeitura de Paraúna. Suas chances são relativamente menores do que a do seu colega de governo. Outros dois ex-prefeitos, Itamar Leão, chefe de gabinete da Segplan, de Sanclerlândia, e Odair Rezende, da Assessoria Especial, de Quirinópolis, também devem entrar com bastante peso na disputa de prefeito.
O caso de Leonardo Vilela é especial. Ele é o preferido do PSDB para a duríssima disputa contra a reeleição do prefeito Paulo Garcia, em Goiânia. Mas nem isso quer dizer tanta coisa assim. O deputado estadual Fábio Sousa, presidente do diretório metropolitano do partido, segue na disputa interna pela indicação. O deputado federal João Campos, tucano mais bem votado em Goiânia em 2010, também não jogou a toalha. As pretensões dos três não conseguem sair da sombra da quase unanimidade chamada senador Demóstenes Torres. Se ele resolver ser candidato, babau. Será ele.
Na Prefeitura, e no PT, a professora Neyde Aparecida deve tentar o retorno ao caminho dos mandatos. Ela chegou a ser deputada federal no final do governo do então petista Darci Accorsi, mas não conseguiu se reeleger. Faz parte do grupo majoritário do PT em Goiânia, e é sempre uma concorrente de respeitável eleitorado. Resta saber se o longo período sem mandato não afetou essas bases. Os três vereadores, Paulo Borges, Simeyzon e Célia vão tentar a reeleição pela primeira vez. Paulo e Célia já foram suplentes. Se tornaram donos das vagas em 2008. Simeyson foi estreante. Célia e Paulo, pelo forte e vasto PMDB, vão ter concorrentes internos de peso e precisam de votação maior para não voltarem como suplentes. Simeyzon pode ter vida mais tranquila pelo PSC.