34 anos
Do Leitor
Uma filha especial

Janaína Falcche 

A minha filha tem 1 ano e 6 meses. Ainda não anda, não sen­ta, não firma a cabecinha, não se­gura objetos com facilidade, tem baixa visão e, com tão pouca idade, já usa óculos. É prematura extrema, nasceu de 26 semanas, com 760 gramas. Seu peso chegou a cair para 520 gramas. Ficou três meses na UTI e nenhum médico acreditava que ela fosse sobreviver. Ledo engano! Devido a sua prematuridade, vieram problemas neurológicos. Ela faz acompanhamento com uma grande equipe médica e frequenta o Corae [Centro de Orientação, Reabilita­ção e Assistência ao Encefalopata] e o Cebrav [Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao De­ficiente Visual].

Sim, eu tenho uma criança especial. Especial mesmo, em todos os sentidos. Todo o processo dela será lento, um dia de cada vez. E eu venho aprendendo o que é ter paciência. Sei exatamente como ela está, o que já faz e o seu ritmo de evolução. E isso eu precisei aprender a respeitar e a entender.

Quem diria que passando tudo que passei desde a gravidez estaria tão forte e tão apaixonada pela minha filha? Sinto que superei meus próprios limites. Sei que o futuro de qualquer criança é incerto. O meu e o da minha fi­lha, ainda mais. E que gostinho especial tem esse imprevisto nu­ma vida que corria tão certinha, tão planejada. Trocaria por uma vida mais calma e monótona? Sim, mas por ela, apenas. Pelo seu futuro mais previsível. Porém, deixaria de ser quem sou hoje. Será a vida aleatória? Acredito que não. Estaria eu precisando desta mudança para ver a vida de uma forma mais humana, mais intensa? Quem sabe responder? A vida leva-nos numa espiral de acontecimentos, e encontramo-nos em situações que nunca poderíamos sonhar experimentar.

Uma das maiores aprendizagens da minha vida — e justamente por causa da minha filha — foi aprender a abrir o meu coração. Ela foi a oportunidade de eu encontrar um caminho muito diferente daquele que seguia. Conheci paisagens muito diferentes das que julgava ver, mas aprendi a apreciá-las e a apreciar viver um dia de cada vez. As portas de uma série de novas, maravilhosas e gratificantes amizades naturalmente se abriram, no meio do turbilhão de sentimentos, alegrias e angústias.

Hoje desfruto melhor da es­sência da vida. Não vejo problemas onde eles não existem. Minhas relações são mais intensas e mais fortes do que nunca, e acredito que estou num belo processo de evolução. Gosto de desafios. Este é o meu maior de­safio de sempre. Porém, não depende unicamente de mim. Como todos os pais, tenho de saber motivar a minha filha, ensinar que o trabalho dá sempre frutos muito doces. E o desafio será dela, também. Sem dúvida que a minha vida é agora mais preenchida, exigente e revestida de ansiedade, mas a minha menina é uma criança como outra qualquer. Deseja brincar, adora descobrir o mundo. Eu comparo esta situação à pilotagem de um avião. Para uma criança sem problemas, põe-se o piloto automático e o avião segue o seu curso. Com crianças como a minha, não é assim. Tem de se aprender a pilotar manualmente e ir verificando todos os comandos e instruções, para ter a certeza que chega ao destino. É preciso muito mais atenção, mais preocupações, mas fica-se com enorme orgulho de saber “pilotar um avião”. Sinto-me realizada. Às vezes, também me apetecia tirar uma sonequinha e ir no automático por uns tempos. Mas, não dá. Sou mãe de uma criança especial com muito orgulho. E sei que a batalha só está começando. Já enfrento o preconceito e alguns olhares que prefiro nem comentar. Mas minha filha me ensinou a ser guerreira, forte e feliz, como ela! Como sou feliz! A minha família é agora maior, porque encontrei amigos que me apoiam e que são como se fossem do meu sangue. Desculpem-me os pais participativos e interessados, mas amor incondicional e cheio de força só o de mãe, mesmo. Se a minha filha terá privações em algumas coisas, tem, no entanto e enquanto Deus permitir, uma mãe completamente apaixonada ao lado dela. Não lembro quem eu era antes dela chegar e, se fosse preciso passar por tudo aquilo pra tê-la nos meus braços como eu tenho ho­je, não pensaria duas vezes. Vou cumprir este papel de mãe com toda força e alegria. Vou honrar o compromisso que Deus me deu até o fim.

PMDB de Morrinhos

Gercyley Batista 

Conheço a história do P­MDB de Morrinhos, a qual durante algum tempo tive o prazer de acompanhar no Palácio dos Pomares. Creio que a resposta do dirigente partidário é de gerar reflexão, não no sentido de apequenar-se como partido, mas, de agigantar-se como o diretório que outrora foi tido como a “República de Morrinhos”, com seus deputados, presidência da Assembleia Legislativa, vice-governador e governador, com seu presidente da Câmara Municipal de Goiânia, secretários estaduais e presidentes de regionais.

Quando o PMDB de Mor­rinhos era a força motora da região Sul de Goiás, não eram raros os apaixonados discursos pró-candidatura de cabeça de chapa.  Quando o PMDB de Morrinhos irradiava luz, não eram poucos os que estavam à sua volta, exaltando 30 anos de hegemonia política. Agora, leio algumas linhas que destratam a história morrinhense e a história partidária. Há na cidade uma espécie de autotraição, uma onda de choque que desde 1998 percorre a alma daqueles que ovacionavam o PMDB de forma messiânica e agora refugam suas palavras como se as nunca tivessem proferido, usando de uma retórica carimbada pelo sabujismo ao poder. Se o jovem Tiago Mendonça está disposto a reerguer o partido, juntamente com um diretório que o apoia — e com ele trazendo ainda o apoio de líderes como Genésio de Barros, Kid Neto, Nailton de Oliveira, Mauro Miranda, Vanderlan Cardoso e Iris Rezende —, me admira essa desenvoltura com a ideia do PMDB ter uma candidatura própria depois de 12 anos. O PMDB de Morrinhos não se sente mais subjugado pela força titânica e repressora do poder estadual, que há 14 anos devasta como um rolo compressor as estruturas partidárias da Cidade dos Pomares, que, com a política regada pelo óleo do medo, perdeu representatividade de forma nunca antes vista nos quase 200 anos de história do município. Alguns podem até ousar em falar que não conheço a história da cidade, pois morei apenas oito anos em Morrinhos. Porém, li muito sobre a cidade, acompanhei de muito perto a política e estou sempre por lá. Tiago pode ser candidato, sim; ele tem apoio do PMDB local e, claro, tem ouvido as bases. Se fosse ao contrário, não se lançaria candidato, tampouco com apoio de homens do quilate de Erlito Bernardes.

Gercyley Batista é 2º vice-presidente regional do PRP de Goiás.
E-mail: gercyley@gmail.com

Greve da educação

Jéssica Wuiner 

Queria deixar bem claro que nosso movimento é em apoio aos professores, organizado por estudantes e em busca de uma reforma na educação, assim como acessibilidade à educação. Nisso, entra a questão do passe livre, nossa bandeira de luta, e para a qual exigimos um resposta rápida. Estamos vivendo em um espaço físico de ensino sucateado e queremos mais educação, não aceitamos o achatamento no plano de carreira dos professores nem essa nova matriz curricular, que reduz todas as aulas, em especial aqueles que desenvolvem o pensamento crítico, como artes, filosofia e sociologia. Não aceitamos esse Pacto pela Educação e vamos incomodar ate sermos ouvidos. 

Jéssica Wuiner é presidente da União Goiana dos Estudantes Secundaristas (Uges).
E-mail: jessica-s-a@hotmail.com

General “do bem”

Vicente Limongi Netto

Minha leitura é como ci­dadão que acompanha os acontecimentos dos grevistas militares de longe, pelo noticiário. Reitero que greve por melhores salários faz parte do contexto de­mocrático, embora, geralmente, na ma­ioria dos ca­sos, com o passar do tem­po, acabe prejudicando a população.

Nessa linha, não vejo em que ponto ou em qual situação o general Gonçalves Di­as, que dialogou com grevistas da Polícia Militar do Estado da Bahia, errou. O militar ponderou, foi ou­vido, aplaudido e, emocionado, recebeu bolo por seu ani­versário. Qual o problema? Por que então o general foi punido e afastado das funções? Militar também é gente.

Militar também é povo. Creio que o general teve parcela importante, numa hora em que a tensão era grande entre autoridades e grevistas. A meu ver, a conversa franca e firme do general com os grevistas em nada diminuiu ou feriu sua autoridade; muito menos pode ser tachado de indisciplinado.

Vicente Limongi Netto é jornalista. E-mail: limonginetto@gmail.com