Edição 1889 de 18 a 24 de setembro de 2011
PSD pode acolher os “órfãos” do ex-governador Joaquim Roriz
ABr
Rogério Rosso: “O PSD tem autonomia, nos Estados, para se
posicionar a favor ou contra o governo”

O PSD de DF pode vir a ser o destino dos remanescentes do rorizismo, caso o ex-governador Joaquim Roriz abandone a política do DF ou troque Brasília por Luziânia, o que é pouco provável. O presidente da legenda no DF, Rogério Rosso, não confirma, mas a sigla pode nascer já como a segunda bancada da Câmara Distrital, perdendo apenas para o PT. Além da deputada Eliana Pedrosa, que já anunciou a troca do DEM pelo PSD, Raad Massouh (DEM), Liliane Roriz (PRTB) e Celina Leão (PMN) também podem migrar para o PSD. “Há muita especulação sobre as filiações de parlamentares, mas eu não tenho autorização para divulgar com quem estamos conversando”, afirma Rosso. Ele diz apenas que, com Liliana Roriz, não teve nenhuma conversa até agora e não nega nem confirma as demais especulações.

Se o PSD conseguir herdar os políticos órfãos de Joaquim Roriz e atrair parlamentares de oposição ao governo Agnelo Queiroz (PT), terá mais dificuldade para aderir do governo do DF. O que não quer dizer que não vá. O partido nasce sobre o lema da independência – ou seja, não é de direita e nem de esquerda, é de centro, e tem autonomia nos Estados para se posicionar a favor ou contra o governo. Apesar de no âmbito nacional o PSD estar com o pé no governo de Dilma Rousseff, no DF pode tender para qualquer um dos lados. Se a sigla herdar os votos do ex-governador Joaquim Roriz, surge como uma força poderosa de oposição no DF com chances reais em 2014, tema que Rosso não aceita antecipar, mas que está na cabeça de todo político em Brasília. Afinal, se Agnelo Queiroz não reverter a rejeição constatada em pesquisa, ser oposição é mais interessante que aderir ao governo.

O PSD terá um conteúdo programático para o DF, afirma Rosso. “O PSD, se perguntado sobre políticas públicas para as áreas estratégicas, terá um posição definida.” Posição que vai ser construída com a participação dos novos filiados e da comunidade, explica Rogério Rosso.

PT e PPL juntos no Entorno

O vereador Walter Mattos aguarda o registro do Partido da Pátria Livre (PPL) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para trocar o PP pela nova sigla.  Junto com o PT, o PPL pretende montar uma chapa competitiva de vereadores e a nova legenda vai brigar para ser vice na chapa que vai se opor a prefeita Lêda Borges (PSDB), em Valparaíso. Os partidos de oposição vão indicar o candidato com maior chance eleitoral e, até agora, o nome que desponta é o da professora Lucimar, do PT. PPL e PT vão caminhar juntos em todos os municípios do En­torno.

Intervenção no BRB

O Banco Regional de Brasília (BRB) está em vias de sofrer uma intervenção branca do Banco Central (BC) e do Ministério da Fazenda. De acordo com relatório de uma auditoria feita pelo BC, o BRB tem empréstimos de riscos temerários na ordem de R$ 500 milhões. O banco é alvo de investigação do MP.  O deputado Chico Vigilante (PT) desmentiu a intervenção.  Segundo ele, os desvios ocorreram em gestões passadas e, hoje, o banco vem sendo conduzido por uma diretoria séria e competente, com resultados excelentes. “Esses boatos estão sendo plantados por uma quadrilha que teve seus interesses contrariados a partir dos novos rumos tomados pelo BRB”, diz o deputado.

“GDF não aplica R$ 200 mil do PAC”

A oposição afina o discurso em relação ao governo Agnelo Queiroz (PT). O PR quer respostas sobre as denúncias de corrupção envolvendo Agnelo Queiroz; o PDT cobra o cumprimento das promessas de campanha, afinal, o governo não adotou o novo caminho com prometeu, afirma o senador Cristovam Buarque (PDT). Já os tucanos criticam a inoperância do governo. Segundo o presidente do PSDB, Márcio Machado, o governo do DF “é um desastre, incompetente, não consegue realizar nada e nem dar continuidade às ações que vinham sendo realizadas pelos governos passados nas áreas de educação, saúde e infraestrutura – transporte, asfalto e água”.

O tucano denuncia que Agnelo Queiroz não consegue dar andamento a projetos que estavam aprovados no governo anterior e que têm financiamento assinado. Ele dá exemplo de obras de infraestrutura que constam do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, no Condomínio Sol Nascente. Cerca de 50 mil pessoas que moram na região aguardam a chegada do asfalto e da luz há anos e as obras estão paradas por falta de licitação. “O projeto está concluído, o financiamento autorizado – cerca de R$ 200 milhões do PAC —, e o governo não consegue fazer”, critica Márcio Machado.

A sorte de Agnelo Queiroz é que a oposição no DF não está unida em torno de um único discurso. Mesmo assim, o governo já sente o peso das críticas. A rejeição de Agnelo Queiroz reflete as denúncias de corrupção, a falta de compromisso com as promessas de campanha e a inércia do governo.

Liliane denuncia descaso do GDF com Estrutural

A Comissão de Assuntos Sociais da Câmara Legislativa denunciou o governo do Distrito Federal por descaso com os moradores da Estrutural. A decisão foi tomada pela presidente da comissão, deputada Liliane Roriz (PRTB), durante uma reunião itinerante da comissão, quando foram gravadas diversas denúncias contra o governo petista e que serão encaminhadas ao Ministério Público do Distrito Federal. “O descaso com a Estrutural ultrapassa questões políticas e chega a ser um crime contra o ser humano”, avalia a deputada. “Falta água, luz, não tem asfalto, as escolas estão sem professores e não há médicos nos postos.” A deputada vai investigar denúncias de que funcionários da administração regional estariam favorecendo conhecidos na lista de distribuição de lotes.

Onde estão os pobres do DF

Três regiões administrativas do DF — Ceilândia, Planaltina e Samambaia — concentram mais da metade da população de baixa renda local, segundo levantamento da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). Famílias com baixa renda são aquelas com rendimento mensal per capita de até dois salários mínimos e consumo de energia elétrica de até 80 kw/mês. Há, no DF, 250 mil pessoas com esse perfil espalhados nas 15 regiões. Eles representam 16,5% da população total. Em Ceilândia moram 24,1% das pessoas de baixa renda e as outras duas regiões com maior porcentual são Planaltina (14,1%) e Samambaia (12,7%).

A segunda página de 'Brasília & Entorno do DF' pode ser acessada em Colunas, sob o título: "Deputado recorre ao MP para obter informações sobre Agnelo Queiroz"