Edição 1890 de 25 de setembro a 1 de outubro de 2011
Rostos jovens na Caoa Hyundai
Fotos: André Nascimento/Jornal Opção
Pátio da RG Service, onde cerca de 600 veículos da Hyundai são inspecionados e liberados às concessionárias diariamente

Sob o sol quente e clima seco do Cerrado, repórteres, de texto e fotográfico, passaram a manhã de quinta-feira nas dependências da RG Service, RG LOG e Gabardo, em Anápolis. As três fazem, respectivamente, revisão de entrega de veículos, transporte de peças de reposição e transporte de veículos para a Caoa Hyundai.

Na Hyundai mesmo, os jornalistas fizeram um rápido passeio de carro (depois de ficarem pelo menos cinco minutos esperando autorização de um guarda que se comunicava com outro, via rádio). Não foi permitida a entrada no departamento de produção de veículos. No local, o que se ouve é que a Hyundai é muito restrita.

No pátio da RG Service, carros a perder de vista. Enfileirados. Empoeirados. E muitos caminhões, maiores (chamados de HD por serem médio porte) e menores (conhecidos por HR) e caminhões de cargas com vários carros fixados. Na Hyundai de Anápolis, são montados o HD, HR e a Tucson. Outros veículos — como o i30, líder de venda da Hyundai no Brasil; i30w; o espaçoso Vera Cruz; o arrojado Santa Fé; Elantra, Veloster, iX35 e Subaru — vêm montados da Coreia. A área, de 400 mil metros quadrados e cerca de 30 mil carros estacionados, é vigiada por ronda 24 horas por dia.

Chama a atenção a quantidade de colaboradores jovens que a RG Service tem, a maioria entre 18 e 25 anos – alguns com rostos bem mais jovens que isso. Segundo a diretoria da RG Service, a quantidade de jovens trabalhando na montadora poderia ser maior se a prefeitura de Anápolis buscasse parceria com a Caoa Hyundai para inserção de menores aprendizes e guardas mirins.

A RG Service faz o chamado pre-delivery inspection (PDI) — revisão de pré-entrega dos veículos, em inglês — tanto dos nacionais quanto dos importados e possui cerca de 300 funcionários (fora a frota de motoristas), dos quais alguns são terceirizados. Os colaboradores são responsáveis pela preparação de aproximadamente 600 carros que deixam diariamente o pátio da RG Service. Entre as funções, há a vistoria de parte elétrica, conferência de equipamentos, como triângulos e chaves de roda, acabamento interno e lavagem de carro.

O PDI é, na verdade, um projeto de pesquisa e desenvolvimento. Significa saber quanto tempo é gasto com cada carro, como deve ser o trabalho, de que maneira se atende aos requisitos de nacionalização, como etiquetas em português, manual e uma série de outras exigências destinadas à cada veículo.

O processo acontece da seguinte forma: os carros importados desembarcam em Vitória, no Espírito Santo, e de lá seguem para Anápolis. Do porto seco da cidade, são levados para o pátio da Gabardo, onde permanecem até serem vendidos. A medida que vão sendo vendidos, passam pelo processo de PDI, momentos antes do embarque para as concessionárias.

A equipe de logística e engenharia da RG Log acompanha todo o processo, desde o embarque dos veículos na Coreia até a chegada ao Brasil. De São Paulo, os veículos vão para um centro de distribuição, onde permanecem até a colocação de acessórios, insulfilmes e outros. Só então são destinados às concessionárias.

No que se referem aos contêineres, eles são coletados assim que são retirados do navio. Depois vão para o porto seco de Anápolis e sofrem novo desembaraço. Só então são levados para a Caoa. O gerente administrativo e de gestão da RG Log, Lucas Blanco, enfatiza que o trabalho é feito por meio de projeto logístico. Os profissionais acompanham o embarque dos contêineres da Coreia até a retirada da zona primária do Porto Seco.

“Fazemos o serviço de house, onde acontece a desova dos contêineres e a locação desse material nas prateleiras antes da produção. É um projeto logístico que estamos operando.”

Dentro dos contêineres se encontram os CKDs para montagem dos três modelos produzidos em Anápolis: HR, HD e Tucson. De acordo com o gestor de logística da RG Log, Rogério Rodrigues, estes veículos vão para o pátio da Caoa Hyundai e seguem o mesmo processo que os importados. Uma vez conferidos contêineres, lotes ou embarques, os veículos vão à linha de produção passar por PDI e depois são entregues à Gabardo para o transporte.

A Gabardo, cuja frota circula de Vitória a Goiás, emprega 1,8 mil funcionários diretos e 3 mil indiretos. Sua área em Anápolis tem 42 mil alqueires, o que corresponde a 1 milhão de metros quadrados. Dentre os profissionais que lá atuam estão mecânicos, motoristas, capeadores e manobristas.

Colaboradores têm de ter afinidade

Uma das maiores preocupações da Caoa Hyundai em Anápolis é qualificar mão de obra local. O recrutamento do departamento de RH das três empresas (Hyundai, RG Log e RG Service) é feito de forma dirigida. Buscam o profissional que precisam, porém sabendo que não chegará totalmente preparado. O colaborador precisa ter afinidade com o que será desenv­­­­­­­­­­­­­­­­olvido. Interna­mente, passa por cursos e é treinado. “Este é o segredo da mão de obra satisfatória”, diz o gerente administrativo e de gestão da RG Log, Lucas Blanco.

A Caoa fiscaliza tudo. Todos os funcionários são treinados e certificados por ela. Nas dependências das empresas, é possível ver diplomas de quem está operando espalhados pelas paredes. Cada colaborador que tem função principal e de multiplicação é homologado pela Caoa Hyundai, que é quem dá o treinamento.

Antes de entrar na linha de produção, o profissional passa pelas linhas de treinamento. Só então que são escolhidos os colaboradores que, de fato, atuarão. “É um processo de RH, de desenvolvimento de talento, que tem nos dado essa oportunidade de poder ter atendimento satisfatório e bastante produtivo, chegando a esse nível de operar 600 veículos em um dia”, diz o gerente Blanco.

As empresas são certificadas pelo ISO 9001:2008. O SESI de Anápolis também ajuda no treinamento de profissionais junto com a Caoa Hyundai. O grupo Caoa Hyundai, cujas iniciais unem o nome do dono, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, sofre auditoria da própria Hyundai. Técnicos vêm ao Brasil duas vezes por ano. A primeira auditoria costuma ser bastante profunda, com várias determinações. A segunda é mesmo para checar se as regras estão sendo cumpridas. Segundo a gerência da RG Log, elas sempre contribuem porque resultam em desenvolvimento continuo. A última auditoria foi em agosto deste ano.

Movimentação do PIB anapolino

Como se sabe a montadora Hyundai em Anápolis movimenta o Produto Interno Bruto (PIB) de Anápolis. Toda a frota que sai da cidade é emplacada lá. Isto acontece desde que Carlos Alberto de Oliveira Andrade, aos 63 anos, em 2007, construiu a montadora investindo R$ 300 milhões do próprio bolso.

Ressalta-se que a sede da Caoa Hyundai é em Anápolis. Há filiais em São Paulo,  Santos e Ribeirão Preto; Vitória, Rio de Janeiro e Curitiba. A próxima será em Canoas, no Rio Grande do Sul, o terreno já está adquirido.

Há projeto para expansão operacional da linha nordeste. Hoje, a Caoa Hyundai faz entrega de Salvador até Recife e em três meses chegará a Fortaleza. A expectativa é que cheguem até Belém, para atender a região norte, hoje de acesso muito difícil devido à via rodoviária, como Manaus e Rio Branco.

Coreanos e a sede própria no País

A Hyundai coreana anunciou no início deste ano que montará sua própria sede no Brasil, em Piracicaba, São Paulo. Cerca de R$ 1 bilhão será investido na obra, cujo terreno tem 139 hectares. A expectativa é que a montadora gere 3,8 mil empregos diretos.

Com a sede própria no Brasil, especula-se como ficará a montadora de Anápolis. De acordo com a Hyundai em Goiás, a empresa coreana não monopolizará as vendas, porque existe um contrato entre ambas, em que Caoa é detentora no Brasil, não podendo deixar de montar veículos.

Segundo a direção da RG Log, a Hyundai montará todos os modelos. Já a Caoa não poderá montar carros de portes menores, como o i15 que deve competir com o Gol da Volkswagen. Em passagem pelo Brasil, o vice-presidente da Hyundai para as Américas, Han Chang Hwan, disse sobre a Caoa: “Ele (Carlos Alberto) ajudou muito a marca a crescer por aqui, continuará ao nosso lado.” Agora é esperar.

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