Edição 1965 de 3 de março a 9 de março de 2013
Marcos Nunes Carreiro
Projeto para desafogar a cidade ao longo do Córrego das Antas
A principal bacia hidrográfica da cidade sofre com a impermeabilização da cidade e provoca todos os anos cenas de alagamento nos bairros e no centro da cidade

Como toda cidade grande, Anápolis vive problemas com alagamento por causa das chuvas. As fortes chuvas que costumam cair no verão, então, deixam claro os graves problemas em várias partes da cidade, principalmente no centro, que é cortado pelo Córrego das Antas, principal bacia hidrográfica do município e que recebe praticamente todo o escoamento de água do município, inclusive de outros córregos importantes, como o Cesário.

E sendo o Córrego das Antas, um dos principais fatores que influenciam na situação de alagamento, ele é alvo de uma obra de R$ 25 milhões, iniciada há aproximadamente cinco meses, que consiste na contenção da bacia, no desassoreamento das cabeceiras e na canalização de um trecho do córrego, como explica o secretário de Obras, Serviços Urbanos e Habitação, Clodoveu Reis Pereira.

“Estamos fazendo uma bacia de contenção no Córrego das Antas, basicamente nas cabeceiras. Temos um desassoreamento de um lago que existia lá, o que implica a construção de uma grande bacia de contenção para amenizar os dias de cheia no centro da cidade. E a canalização do córrego do trecho que vai até a Avenida Engenheiro Portela, com a criação de duas pistas laterais. Além disso, será feito a compatibilização da macrodrenagem com a microdrenagem nessa região”, explica.

O Córrego das Antas nasce no trevo do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) e percorre grande parte da cidade, passando pelo centro da cidade e todos os outros córregos acabam sendo afluentes desse primeiro, o que provoca problemas em partes da cidade. “E temos problema em quase todos os outros, por exemplo, o João Cesário, mas, como o Córrego das Antas é o maior, temos focado nele. Porém, não podemos nos restringir a obras estruturantes, pois vamos impermeabilizando a cidade, o que é um processo irreversível, e, por isso, temos buscado alternativas para solucionar esses problemas.”

Um levantamento da Defesa Civil mostra que mais de dez bairros têm problemas críticos de alagamento. Os motivos são — como em toda metrópole — a impermeabilização do solo, que não permite a absorção da água e provoca a formação de enxurradas e escoamento para os rios, que, por sua vez, transbordam; a pavimentação de ruas e construção de calçadas, o que reduz a superfície de infiltração; o desmatamento das encostas e o assoreamento dos rios e córregos que cortam a cidade; e o acúmulo de lixo, que entope bueiros.

Contudo, segundo o secretário, ações já estão sendo feitas em outras partes da cidade. “Nós temos feito interferências em alguns pontos da cidade. Em Anápolis, temos muitas casas construídas às margens dos córregos. E isso tem provocado muitos problemas para a prefeitura, além de criar muitas áreas de risco. E temos feito algumas interferências nesses locais, que refletem o que acontece em muitos municípios do país, em que as pessoas vão construindo suas casas ao longo dos córregos e em tempo de chuva o córrego lava aquela margem, deixando as casas desprotegidas. E temos feito alguns trabalhos de proteção em relação a isso”, pontua.

E uma dessas ações consiste no encaminhamento de um projeto para a Câmara Municipal que pretende criar restrições para a construção de novas construções nas proximidades do Córrego das An­tas. O projeto prevê a exigência de modificações na estrutura das construções com a criação de um poço de recarga, que funcionaria como uma cisterna, abastecendo o lençol freático e fazendo com que a água não vá parar nas ruas e, consequentemente, nos córregos.

“Esse projeto está sendo encaminhado para a Câmara Muni­cipal. No meu ponto de vista, ele é o principal agora, pois vamos exigir de cada nova construção, onde o Córrego das Antas possa captar a água, um poço de recarga, que é um pequeno sumidouro em média de quatro metros de profundidade. Ele capta toda a água que cai no telhado. Assim, a água da chuva não vai para a rua e evita o impacto, paralisando os problemas no ponto em que ele está agora. Nosso sonho é fazer com que todas as ca­sas tivessem esse sistema, o que seria uma solução formidável para a cidade, pois ao invés de ir para os córregos diretamente, ela estaria recarregando o lençol freático e não causariam as enchentes que fazem hoje”, afirma Clodoveu.

Nesta semana, será realizada uma audiência pública na Câmara Municipal para tratar do “programa permanente de gestão de águas superficiais da bacia hidrográfica do Córrego das Antas”, com o objetivo de explicar as ações do projeto.