Edição 1949 de 11 a 17 de novembro de 2012
Thiago Burigato
Governo planeja ampliação do Daia em 2,5 km²
Fernando Leite/Jornal Opção
O Distrito Agroindustrial de Anápolis é o maior polo farmacêutico de Goiás e um dos maiores da América Latina

Ocupando atualmente uma área de aproximadamente 9,5 km², o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) pode chegar aos 12 km² em uma data próxima — mas ainda não definida. Os planos são do Secretário de Indústria e Comércio do Es­tado, Alexandre Baldy.

Com a estruturação da nova área o governo pretende instalar cerca de 100 novas empresas. Desta vez, micro e pequenos empreendimentos deverão se alojar no local, somando-se às 156 já presentes.

O Daia emprega diretamente cerca de 20 mil pessoas, que atuam principalmente nas áreas farmacêutica, automobilística e de transformação. As empresas que se dedicam à fabricação de medicamentos são um dos destaques da região. Essas indústrias contam com aproximadamente 9 mil funcionários e tornam o local um dos maiores polos farmacêuticos da Amé­rica Latina.

“A importância da indústria farmacêutica não é só para o Daia, é para todo o Estado de Goiás”, diz o presidente do Sindicato das Indústrias Far­macêuticas no Estado de Go­iás (Sindifargo), Marçal Hen­rique Soares.“Por questões regulatórias a indústria farmacêutica foi responsável pela inovação, modernização e regulamentação da indústria em Goiás.”

O distrito é o maior responsável pelo Produto Interno Bruto (PIB) de mais de R$ 8 bilhões de Aná­polis. Apesar disso, nem o governo estadual nem a gerência do complexo conseguem calcular o rendimento das empresas instaladas.

“O Daia é o principal distrito industrial do Centro-Oeste. Ele gera visibilidade à região e empregos a milhares de pessoas. É o cartão-postal do desenvolvimento do Estado”, afirma Baldy. Segundo o secretário, o governo investe cerca de R$ 12 milhões por ano no complexo, sem considerar as ampliações. A estrutura do local conta com quatro restaurantes, dois postos de combustíveis, sistemas de água e esgoto próprios e duas subestações de energia.

Para os trabalhadores do distrito, o único problema estrutural do local é a falta de um viaduto na BR-060, uma das rodovias que dá acesso ao Daia. “Quando chega as 18 horas o trânsito aqui fica uma loucura”, reclama Agenor Borges de Oliveira, funcionário da Granol  Indústria, Comércio e Ex­portação S/A.

O Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), ciente da situação, iniciou em 2010 um processo licitatório para obras no local. Em abril de 2011, no entanto, o procedimento foi suspenso pelo Mi­nistério Público Federal (MPF) por apresentar diversas irregularidades, inclusive com denúncias de superfaturamento.

Consultados pelo Jornal Opção, assessores do Dnit informaram que um novo processo licitatório está em andamento. No momento, o Departamento analisa alguns recursos que foram impetrados pelas empresas participantes.

Caso concretizadas, as obras no acesso ao distrito e a ampliação do complexo devem trazer ainda mais desenvolvimento para Anápolis e para o Estado. O crescimento do Daia, que à época de sua inauguração, em 1976, foi considerado um “elefante branco”, pode trazer mais rendimentos para o governo e para a prefeitura, mais oportunidades de emprego para a população e mão de obra qualificada para Anápolis.