Francisco Silva Araújo
Francisco Silva Araújo
Francisco Araújo atua no segmento de estudo e degustações de vinhos há mais de 10 anos. Membro da Associação Brasileira de Sommelieres, da Wine Spirit Education Trust Níveis 1, 2 e 3 e da ISG International Sommelier Guild. [email protected]

A uva Zinfandel resulta num bom vinho. Pode ser usada para produzir vinhos brancos, rosés e tintos

Na Itália, chama-se a uva de Primitivo e, nos Estados Unidos, de Zinfandel. Trata-se da mesma uva, mas os vinhos são diferentes, dados o meio ambiente e o clima

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Muitos se limitam a vinhos de determinadas uvas ou país e, admito, não há nenhum problema. Opções são opções. Mas o que o consumidor precisa mesmo saber é escolher um vinho de determinada uva de uma região na qual ela adapte bem. O fruto em si não é problema, porém, se o produtor não tiver um bom conhecimento tanto da escolha da terra quanto do fruto, é muito difícil dar certo. Ele tem de conhecer muito bem o sistema climático e os níveis e época de maturação de cada uva. Para isso é preciso muito estudo e pesquisa para conhecer o meio ambiente. É o caminho adequado para produzir uma colheita de uvas maduras e sãs.

Uma videira precisa de dióxido de carbono (CO2), luz solar, água, calor e nutrientes. O primeiro dos fatores está no ar (a maior parte do CO2 é expirado pelos animais), mas a disponibilidade dos outros quatro é afetada pelo meio ambiente onde a videira cresce. Em particular, o clima e o tempo têm um efeito sobre a luz solar, o calor e água. O solo tem um efeito no calor e na água disponíveis, assim como a disponibilidade de nutrientes.

Quando for escolher um vinho de uva Chardonnay nunca esqueça de olhar a qual país e região pertence. Por exemplo: regiões clássicas (Borgonha), Chablis, Puligny-Montrachert, Meursault, Mâcon, Pouilly-Fuissé. É sempre bom conhecer um pouco de geografia para a escolha de um bom vinho. Como a Austrália é quente, não é fácil escolher um bom vinho branco deste país. É possível encontrar um bom Chardonnay em três regiões: Yarra Valley, Adelaide Hill, Margaret River. Esses são alguns dos exemplos para um vinho de uma uva de boa estrutura.

No caso da uva sauvignon blanc é necessário uma região de clima mais fresco. Para as uvas de maior estrutura as regiões de clima mais quente são sempre mais propícias, por exemplo carbernet sauvignon em Bordeaux Medoc, haut-Medoc (pauillac, Margaux), Graves (pessac-Léongnan) na Austrália coonawarra, Margaret River.

Esses são só alguns dos exemplos mas todos os países que tem tradição em produção de vinhos tem uma região específica para cada uva, cabe ao produtor ter sensatez na hora das escolhas do solo e da uva, quanto ao consumidor, ele deve ter um pouco de conhecimento para não fazer uma escolha ruim.

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Uva zinfandel

Zinfandel, da Califórnia, e Primitivo, da Itália, são, na verdade, a mesma uva — assim como Crljenak Kaštelanski, uma antiga variedade da Croácia, da qual as uvas da Califórnia e da Itália descendem. A OIV classifica os três nomes como sinônimos, utilizados conforme a localização geográfica. Apenas os vinhos são distintos. O zinfandel tem estrutura mais baixa (de corpo mais leve). Na Itália, na região de Puglia, os vinhos são mais encorpados, com mais frutas, mais ricos nas nuances olfativas e gustativas.

Se não são absolutamente (ou rigorosamente) iguais, as uvas também não são diferentes o suficiente para que se possa caracterizá-las como uma nova cepa. Geneticamente, são extremamente semelhantes, podendo ser consideradas simplesmente subtipos genéticos que ocorrem naturalmente, em função da alta adaptabilidade das uvas ao ambiente. Essa teoria foi confirmada, nos anos 1990, por um estudo genético realizado por Carole Meredith, da Universidade da Califórnia.

Como nos Estados Unidos, as leis de rotulagem por enquanto não permitem a substituição de um termo pelo outro, então, é possível encontrar vinhos de corte cuja combinação de uvas descrita é Zinfandel e Primitivo. Curioso, não?

A Zinfandel, ou a Primitivo (como queira), não é uma uva de fácil cultivo. O tamanho dos azulados bagos varia muito, inclusive em um mesmo cacho. É necessária certa experiência para lidar com o amadurecimento dessa cepa, nessas condições.

Essa variedade parece um camaleão, podendo ser utilizada para a produção de vinhos brancos, rosés, tintos e até mesmo fortificados. O estilo mais conhecido é o tinto: encorpado, de profunda coloração, muito frutado, com aromas de frutas silvestres e notas incrivelmente apimentadas. Um excelente acompanhamento para pratos elaborados com carne de porco, e para salames em geral.

Outro estilo que merece destaque é o rosé, que nos Estados Unidos é chamado de White Zinfandel, ou Blush. Esse é um vinho bem recomendado para se beber quando se come peixes ou então quando se come massas com molho à carbonara. Mas alguns especialistas torcem o nariz para esse vinho, considerando-o “fácil demais”. Uma pena.

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