Henrique Morgantini
Henrique Morgantini

Rincón pode pavimentar mais que estradas: pode construir seu caminho ao Paço Municipal

Presidente da Agetop é o único pré-candidato que tem, de fato, o que apresentar aos goianienses

Jayme Rincón, presidente da Agetop: vantagem de ter Marconi

Jayme Rincón, presidente da Agetop: vantagem de ter Marconi

Jayme Rincón é considerado o número 1 na preferência de Marconi Perillo para disputar a Prefeitura de Goiânia. A exemplo da saga Matrix, o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) é praticamente um Marconi Reloaded: possui as técnicas desenvoltas, o gestual e o teor dos discursos semelhantes ao seu inspirador. Só isso já bastaria para que ele saísse à frente dos colegas de partido e de grupo — a base marconista — na conquista desta preferência.

No entanto, Rincón vai além: ele é o único dos pré-candidatos que tem, de fato, o que apresentar ao cidadão goianiense. Distante de um discurso político restrito a promessas e à geração de novas expectativas — e é isso que políticos fazem bem — o atual tocador de obras do governo de Goiás possui um denso material para apresentar ao seu possível eleitor. Isto porque, estando à frente da Agetop, é ele o responsável pelas ações que hoje garantem popularidade ao governador. Onde o discurso sobre modernidade, inovações e outras gerações de boas expectativas não consegue chegar, entra o trabalho físico, pisável e visível da Agetop, com obras, estradas e edificações que permitem que o goiano “enxergue” o governo em ação.

Este é o grande trunfo de Jayme. Inédito, inclusive. Afinal, ele disputa espaço dentro do PSDB com Waldir Soares, o deputado-delegado que se envolve mais em polêmicas políticas no que considera uma perseguição messiânica pelo combate à corrupção do governo do PT (e só do governo do PT, afinal, sua indignação parece ser seletiva) do que apresentar projetos que resultem em algo mais consistente.

É preciso reconhecer que, na cabeça do eleitor, a figura icônica de um delegado em tempos de violência desenfreada é sempre mítica e, por isso, seu discurso de “lei da bala” seja em bandidos armados ou de colarinho branco sempre ganha espaço de destaque. Em alguns cenários localizados, ou mesmo no âmbito nacional, um discurso venceu obras físicas, mas tudo depende do momento em que a disputa acontece. O Brasil de Collor (1989) e o de Lula (2002), discursos e trajetórias venceram ações concretas. Mas o que parece é que, hoje, o goianiense quer algo mais palpável para acreditar.

Interessante também refletir que o discurso do Delegado Waldir de combate franco e violento ao banditismo só encontrou conforto nas pessoas por conta de uma política de segurança pública deficiente vivida em todos os Estados.

Rincón tem, ainda, como adversário interno um religiosamente poderoso Fábio Sousa. Pastor e deputado federal, líder de um segmento consistente de evangélicos, Sousa peca pela ausência do que dizer. É politicamente apagado quando o assunto é o debate municipal. Além disso, parece ter focado seu discurso ideológico na formação da defesa dos interesses religiosos da bancada evangélica. Se isso não fosse autocerceante de sua imagem, Sousa, por conseguinte, não emplaca com outros segmentos religiosos. E este é um mal dos políticos sectários: são populares em seus meios específicos, mas eles mesmos se determinam um teto de atuação, o que é fatal para impedir o sucesso em projetos mais populares como é a disputa ao Executivo.

Fora do ninho tucano, ainda há outros dois nomes: Luiz Bitten­court, pelo PTB, e correndo bem mais por fora — isto no âmbito da disputa pela preferência do governador Marconi Perillo — está o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso. O primeiro está distante do cenário político-eleitoral e precisaria realizar um trabalho inédito em sua trajetória política que é o de obter uma penetração realmente popular de seu nome, imagem e discurso. Apesar disto, Bittencourt possui uma fala clara e convincente e é um político experimentado.

Já Cardoso segue sendo lembrado mais como ex-candidato ao governo por duas oportunidades que propriamente como um gestor afiado que, de fato, ele é. A cidade de Senador Canedo sob sua batuta passou por uma revolução, mas a implacável ação do tempo consome até mesmo as obras físicas em concreto e ferro de Rincón, o que dizer da imagem de uma gestão na memória do eleitor. Isto considerando ainda que o goianiense tem alguma noção do que se passa ou se passou em Senador Canedo quando Cardoso era prefeito por lá.

Por mais que mantenha uma postura de aproximação com Marconi Perillo, é complicado para ambos explicar uma união dois anos depois de uma disputa que, se não foi sangrenta pelo governo, teve momento de bastante agressividade de ambas as partes. Na política, só os amadores têm inimigos, mas explicar uma aliança destas é um caminho complicado. Ainda mais quando se tem tantas opções mais “fáceis” de serem concebidas.

O cenário, portanto, é todo favorável ao gestor da Agetop que, internalizando um trabalho político em suas bases — políticas e empresariais, já que ele tem conexões com figuras importantes de dentro e de fora do governo — pode criar o clima perfeito para disputar o Paço Municipal. E isto tudo com chances efetivas de levar o páreo.

O desgaste do PT, perseguido pela imprensa e por políticos até mais do que pelas operações da Justiça, terá dificuldades em diferentes níveis por todo o Brasil. No PMDB, Iris é imbatível internamente como candidato e deve ser, é claro, o nome a ser vencido. Dez entre dez especialistas na política goiana afirmam que ele é o nome da vez. E lá se vão décadas que ele figura assim. Mas se isso fosse um axioma, um sujeito chamado Marconi Perillo nunca teria feito a História que fez e faz ao enfrentá-lo sem quaisquer chances e… vencido.

Rincón não é o Marconi de 1998. Por um lado não possui tanta leveza quanto o então jovem postulante da camisa azul, mas é bem mais preparado que Perillo era à época. Até porque Jayme tem hoje o que Perillo não tinha: um Marconi ao seu lado para orientá-lo e para sair às ruas pedindo votos por ele. E outro dado relevante: Iris, o nome a ser batido, também não é o ícone inatingível daquela época, e suas sucessivas derrotas seguem por enfraquecer sua imagem mítica e, claro, sua postura como candidato.

Se, como dizem, o goianiense realmente estiver cansado de políticos e optar pelo tal “gerentão” é Jayme Rincon o nome da vez.

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