Henrique Morgantini
Henrique Morgantini

Na velocidade das candidaturas, PSDB de Anápolis vai de 0 a 4 postulantes

Partido tem potencial e conhece bem o município, mas até o momento lhe falta um bom nome para concretizar os planos da legenda 

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Carros esportivos de luxo são mundialmente co­nhecidos e desejados pelo seu desempenho. A relação de zero a 100 km/h é um dos charmes destes veículos cuidadosamente planejados para obter o melhor desempenho no menor tempo possível. Em Anápolis, no cenário político para a disputa da prefeitura em 2016, o PSDB pode ser comparado com alguns destes carros. Afinal, a legenda saiu de zero a quatro pré-candidatos em um curtíssimo espaço de tempo.

Partido que comanda a administração em Goiás com grande prestígio – Marconi Perillo jamais deixou o poder desde que assumiu em 1999 e, quando o fez, deixou seu vice – o PSDB em Anápolis possui um histórico montado em cima de mais derrapadas do que curvas bem feitas. Se for um carro esportivo, a legenda tem potencial e até conhece a pista, mas lhe falta um bom piloto.

A prova disso é que mesmo com todas as facilidades do cenário político estadual, o partido jamais conseguiu chegar ao poder na cidade e, pior ainda, nem mesmo tem um candidato forte, definido e já trabalhado entre os diversos segmentos da sociedade. Diálogo direto com o povo então, isto passa longe.

No entanto, nem tudo soa como abandono no partido. Se faltam quadros populares, pelo menos postulantes que assumam posições como pré-candidatos não faltam mais. O PSDB anapolino saiu do zero e, se não chegou a 100, pelo menos já tem quatro possíveis nomes dispostos a desbancar o prefeito João Gomes, natural candidato à reeleição.

Além do disse-me-disse, quem primeiro falou abertamente sobre uma disputa à Prefeitura foi o ex-deputado e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Frederico Jayme. Mesmo ainda não filiado ao PSDB, Jayme é o chefe de gabinete de Marconi Perillo e há tempos vem dialogando com diversas forças políticas locais a fim de se viabilizar como candidato. O mais interessante é que justamente Jayme não é filiado ao PSDB, mas todos dão como certa a filiação dele com o intuito de manter a oficialização de sua pré-candidatura. Jayme foi visto almoçando com o deputado federal Alexandre Baldy em um restaurante de Goiânia. Ambos deixaram para a imprensa a mensagem de que, no cardápio goianiense, estava o futuro da cidade de Anápolis.

Há toda uma simbologia presente neste evento que se realiza num restaurante de alto padrão em Goiânia para debater sobre Aná­po­lis. Assim como isto explica muito do pensamento do PSDB sobre a cidade.

Alguns dias depois desse evento, Baldy, que havia recuado da pauta envolvendo uma possível candidatura na cidade, voltou atrás e decidiu anunciar que é, sim, pré-candidato na cidade. O deputado federal, cujas ligações com o município são bastante restritas – sua família por parte da esposa é da cidade –, confessou que conversou com seu sogro, possível organizador político e financiador deste projeto e, só depois disso, foi autorizado a se colocar como uma opção.

Outra conversa que Baldy fez envolveu Marconi Perillo. O governador, como principal nome do PSDB do Estado, deu o aval a Baldy. Mas sem exclusividade. Nos bastidores, comenta-se que Perillo não tem grande preferência pelo deputado e que só o tolera em alguns projetos pela extrema consideração e afinidade que possui com Marcelo Limírio, sogro todo-poderoso do pré-candidato.

O fato é que, para o Marconi Perillo versão “dirigente partidário” nada é melhor que uma disputa interna. É o que realmente fortalece uma legenda em um município. E por isso Perillo também já deu seu aval a Fernando Cunha Neto. O vereador licenciado, que hoje ocupa espaço no primeiro escalão do Governo possui um nome com mais penetração popular que os outros dois citados. É vereador em segundo mandato e está em constante contato com segmento da população que Baldy e Jayme sequer têm noção da existência. Cunha Neto tem ainda o apoio de um padrinho forte: seu tio é Carlos Cachoeira, que pode injetar dinheiro em um projeto majoritário.

Quem fecha o quarteto de possíveis postulantes é o ex-candidato pelo PSDB Ridoval Chiareloto. Após a derrota de 2008, Chiareloto passou um tempo no limbo político, mas conseguiu se recuperar através da sua atuação à frente da AGR. Se não tem uma popularidade exacerbada, pelo menos está em contato perene com forças políticas e econômicas que transacionam com o Governo de Goiás. Chiareloto afirma não ter interesse mais neste projeto, mas ao mesmo tempo usa espaços dedicados a ele na imprensa para dizer que possui informações de pesquisas que lhe colocam em ótima colocação.

Por ter sido candidato em 2008, Chiareloto tem mais penetração que todos os nomes anteriormente citados. Pode pesar contra seu projeto a prévia derrota e sua ausência como candidato em todas as outras eleições posteriores a 2008.

Se numa análise, o PSDB acaba de obter uma ótima notícia de que seu braço em Anápolis não está entregue e começa a entrar em ebulição, por outro lado uma disputa interna com ares de embate de adversários pode prejudicar a todos. A máxima dos políticos que morrem abraçados tentando chegar em primeiro deixando o resto para trás é uma possibilidade real, afinal, se todos usarem o expediente do fogo amigo para levar vantagem na disputa interna, é provável que todos sangrem antes mesmo de se iniciar o pleito.

As armas e os alvos são muitos. Baldy, por exemplo, é o que mais oferta um flanco frágil aos inimigos: pouco conhece da cidade, não tem qualquer vínculo, nunca morou por aqui e, cada vez mais, mantém uma posição política distante da realidade municipal. Seu perfil de “estrangeiro”, como alguns eleitores bairristas costumam usar, pode complicá-lo na hora de ter de debater as micro-realidades municipais.

Já Fernando Cunha tem as limitações que ele mesmo se impôs ao seu mandato. Como vereador reeleito, Cunha não conseguiu se estabelecer como referência de oposição na Câmara. Foi ultrapassado por outros nomes de bem menor expressão e até mesmo estrutura partidária. Isto o deixou distante de obter o apoio genuíno dos membros de sua própria legenda.

Frederico Jayme sequer é filiado à legenda e ao ingressar – se o fizer – vai se encontrar com ex-colegas e desafetos de PMDB que hoje também estão no ninho tucano, como o casal Adhemar e Onaide Santillo. Isso pode complicar a sua vida, uma vez que os inimigos de longa data sabem todos os seus pontos fracos. A ausência nas relações com a cidade também pode torná-lo um candidato de aluguel, muito embora é preciso frisar que Jayme tem ligações umbilicais com diversos setores da sociedade.

É preciso citar, ainda, que Onaide também se coloca como uma opção para o PSDB numa eventual candidatura. Mas além dela e do marido ninguém mais considera esta possibilidade.
Já Ridoval Chiareloto enfrenta o ostracismo político e um resquício de sombra dos escândalos atribuídos a ele em 2008 quando foi envolvido em um suposto caso de festas envolvendo menores de idade. A fofoca política com tempero de pedofilia fez sucumbir a ascensão de Chiareloto naquele momento e sua candidatura despencou. Montado para prejudicá-lo, o caso não foi para frente na Justiça e acabou sendo arquivado, mas a mancha na memória de parte da população, sobretudo aquela que não acompanhou os desdobramentos jurídicos, ainda permanece. Com isto, ao passar dos anos, seu prestígio também foi colocado em xeque. É uma incógnita compreender se Chiareloto poderá já ter superado este fato ou não. O que é também um fato é que, de todas estas opções, é Chiareloto o nome que mais tem afinidade com a cidade: sempre morou em Anápolis, desenvolveu-se política e empresarialmente na cidade e mantem vínculos classistas de décadas.

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