Euler de França Belém
Euler de França Belém

Morre o escritor argentino Ricardo Piglia, autor de Respiração Artificial

O autor de “Dinheiro Queimado”, prosador e crítico literário, morreu aos 75 anos. Ele sofria de esclerose lateral amiotrófica

O escritor argentino Ricardo Piglia morreu na sexta-feira, 6, às 16h30, aos 75 anos. Além de um prosador de primeira linha, era um crítico literário — ensaísta — de importância internacional, inclusive com forte presença no meio universitário dos Estados Unidos. Ele foi professor de literatura em Princeton, uma das mais prestigiosas universidades americanas.

Ricardo Piglia sofria de esclerose lateral amiotrófica (ELA) há alguns anos.

O escritor é autor de livros importantes, como “Dinheiro Queimado”, “Respiração Artificial” (o livro provocou um “terromoto” na literatura argentina, segundo o jornal “Clarín”), “Alvo Noturno” e “O Caminho de Ida”. Todos publicados pela Editora Companhia das Letras.

Seu primeiro foi “A Invasão”, uma coletânea de contos. Em seguida, lançou “Nome Falso” e, em 1980, “Respiração Artificial”.

Alguns de seus mais importantes ensaios foram reunidos nos livros “O Último Leitor” (analisa com brilhantismo “Anna Kariênina”, de Liev Tolstói) e “Formas Breves” (examina, entre outros, Kafka e James Joyce), ambos publicados pela Editora Companhia das Letras.

“O projeto mais importante da vida” de Ricardo Piglia “eram”, segundo ele, “seus diários pessoais, que havia começado a publicar há dois anos — saíram dois volumes —, sob o título de ‘Os Diários de Emilio Renzi’, em alusão ao alter ego de muitos de seus textos mais conhecidos. O último volume deve ser publicado em setembro deste ano pela Anagrama. A editora espanhola reeditou toda a sua obra e deu-lhe visibilidade na Europa”, afirma o “Clarín”.

Piglia recebeu os prêmios Romulo Gallegos, o Formentor e o Iberoamericano de Narrativa Manuel Rojas. A obra do escritor foi traduzida para mais de 15 línguas e foi adaptada para o cinema.

Lucidez e paixão

O ministro da Cultura da Argentina, Pablo Avelluto, disse: “Adeus, Piglia. Para nós fica todo o escrito, a lucidez e a paixão do autor e do leitor onívoro. Vamos sentir sua falta”.

Frases de Ricardo Piglia

“A crítica é a forma moderna da autobiografia. Uma pessoa escreve sobre sua vida quando acredita que escreve suas leituras.”

“Narrar, dizia meu pai, é como jogar pôquer — todo o segredo consiste em parecer mentiroso quando se está dizendo a verdade.”