Euler de França Belém
Euler de França Belém

Jornal do Brasil muda de dono e vai voltar a ter edição impressa

Migrar inteiramente para a internet parecia o futuro; no caso do “JB” não foi, pelo contrário, potencializou sua derrocada

Carlos Castelo Branco: ás do jornalismo político

O Brasil sempre teve vários jornais. Mas um jornal era conhecido como “o jornal”. Qual? O “Jornal do Brasil”. A cobertura política era de primeira linha. Assim como a análise dos fatos políticos. O “JB”, como era chamado por todos, tinha, entre outros, o Castelinho, Carlos Castelo Branco, e o Villas-Boas Corrêa.

Janio de Freitas, que, ao lado de Reynaldo Jardim, modernizou o JB

Na área social, reinventando o jornalismo social, estava Zózimo Barroso do Amaral. Na cultura, havia o “Caderno B” e o “Ideias”. Reynaldo Jardim, o poeta e jornalista, e Janio de Freitas, jornalista que sabe tudo sobre design gráfico (diagramação, falava-se). Na crítica de poesia, que incluía tradução dos melhores globais, havia Mário Faustino (poeta, crítico literário e tradutor). Ferreira Gullar escrevia lá. Os concretistas ganharam espaço para suas diatribes poéticas gráfico-conceituais.

Villas-Boas Corrêa: jornalismo político de primeira linha

Vários outros pontificaram por lá — como Elio Gaspari, Roberto Pompeu de Toledo, Marcos Sá Corrêa, Wilson Figueiredo, Dora Kramer, Ancelmo Gois, Mario Sergio Conti, Wilson Figueiredo, Mário Pontes, Zuenir Ventura. O “JB” era, para os leitores, um jornal e quase uma religião — tinha seguidores. O jornal era quase a “Voz do Brasil”.

Elio Gaspari: contribuiu para transformar o “JB” num jornal poderoso

O que era bom durou muito, mas não durou para sempre, que é o que se espera de um grande jornal. Com (Manoel Francisco do) Nascimento Brito, o jornal estava em crise, mas permanecia um jornal, quase “o jornal”.

Reynaldo Jardim: o jornalista que reinventou o “JB”

Depois que empresários de outros ramos “ocuparam-no”, dando-lhe nova feição, e, por fim, acabando com a edição impressa, o “JB” piorou e deixou de ser considerado um grande jornal. É mais um jornal, agora só na internet. Tornou-se tão-somente motivo de curiosidade pública. Ninguém que se preze o consulta mais ou o consulta apenas eventualmente.

Mário Faustino: poeta, tradutor e crítico literário

Agora, anuncia o repórter Maurício Lima, editor da coluna “Radar”, da revista “Veja”, Nelson Tanure vendeu a marca “Jornal do Brasil” para o empresário Omar Catito Peres, do ramo gastronômico. Não se sabe se entende de jornalismo, mas ao menos o jornal saiu do controle de Nelson Tanure. Catito Peres “pretende retornar com a edição impressa da publicação”.

Omar Catito Peres: o empresário que vai levar o “JB” de volta à edição impressa

Curiosamente, as edições impressas dos jornais brasileiros ainda dão mais dinheiro do que as edições tão-somente digitais. Há um processo, que um marxista chamaria de dialético, curioso: as edições impressas são fortalecidas pela internet, porque aumentam o número de leitores, e em vários lugares do mundo, e, ao mesmo tempo, fortalecem o jornalismo on line dos jornais.

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Deveria mudar o nome, já que é um jornal de um Brasil que jamais irá existir!

Adorei essa informação! Fui assinante do jornal por mtos anos. Espero q volte o mais breve e com o mesmo ou melhor padrão de qualidade.

Deveria mudar o nome, de Mirante do Mangabeiras, para Mirante Jornal do Brasil que é o antigo. Assim além de Porto Alegre, onde existe Praça JB, também Belo Horizonte e todo o Brasil deveria render homenagem não ao melhor Jornal do Brasil, mas “O jornal do Brasil”. Nos seus quase 200 anos de sucesso é bom que se diga que a sua alma vinha de outros sucessos editoriais como O País, Correio Mercantil, Diário do Rio de Janeiro (1821)… mas sempre capitaneados por rebeldes formadores do espírito brasileiro como Joaquim Nabuco (Monarquista), Ruy Barbosa, Rodolfo Dantas, Quintino Bocaíuva (Republicanos). Resgatando… Leia mais

Fui chefe de redação, quando ele comprou o Jornal dos Sports, no começo dos anos 2000. Pode não conhecer a fundo os segredos da profissão, mas sabe delegar a profissionais competentes as funções de comando. Gostei de trabalhar com o amigo Catito Peres e com sua família.

Quando o JB passou a ser somente online, na pratica fechou. Agora, voltando as bancas e a casa dos assinantes, volta a ser um jornal. E que retorne pela porta da frente da imprensa – que e o seu lugar. Parabens!

Maravilhosa notícia. Fui assinante por várias décadas e gostaria de voltar a ser.

DEUS DÊ SABEDORIA ao NOVO GRUPO PRA TERMOS de VOLTA o ” ANTIGO JB ” 🙏🏾❤️👍🏽👏🏾

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