Irapuan Costa Junior
Irapuan Costa Junior

Sociedade precisa saber sobre ações suspeitas do Instituto Sangari e da Flacso no Brasil

O objetivo do Instituto Sangari e da Flacso é muito mais ganhar dinheiro fácil do que lidar com educação ou fazer pesquisas equilibradas sobre o país

Ben Sangari, iraniano com cidadania inglesa, ganhou muito dinheiro no Brasil, sobretudo do setor público, como da Eletrobrás, mas qual foi sua contribuição positiva? Nenhuma. Várias irregularidades levaram-no a sair do país | Foto: Divulgação

Veja o leitor que história interessante: existia por aqui, nos anos dos governos petistas, um organismo chamado Instituto Sangari. Pode-se dizer que se tratava de uma empresa, pois manteve contratos com órgãos da administração pública, na esfera federal e no próprio Distrito Federal (pelo menos). E faturou muito. Seu dono era um iraniano, com cidadania inglesa, mas que vivia no Brasil: Behnam Baghai Sangari, um habitué das colunas sociais, segundo a “IstoÉ”, e conhecido como Ben Sangari. Era pródigo. Certa vez, em jantar beneficente, arrematou uma simples camiseta da atriz Carolina Dieckmann por R$ 3.400, conta revista.

O Instituto Sangari, que alegava trabalhar no setor educacional, conseguia verbas polpudas no governo petista. Em 2007, por exemplo, levou R$ 200 mil da Eletrobrás como patrocínio para uma feira sobre Darwin, curiosamente apresentada não no Brasil, mas em Nova York. Sem qualquer tipo de licitação ou disputa.

Ben Sangati gozava da intimidade de alguns gabinetes importantes, como o do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para o qual produzia o Mapa da Violência, estatística anual comentada sobre os assassinatos no Brasil. O custo do Mapa não sabemos.

Diretor do Instituto, o argentino Julio Jacobo Waiselfisz era (e é) o produtor que assinava (e assina) o tal Mapa. Aparecia sempre na imprensa, tendo mesmo recebido em 2013 do governo Dilma Rousseff um prêmio por sua defesa dos Direitos Humanos. Merecido? Do ponto de vista petista, certamente sim. Pessoalmente, não percebi quais direitos humanos defendeu, salvo o dos bandidos armados, defendendo o Estatuto do Desarmamento.

Polícia Federal
Em 2009, o Instituto Sangari e o dito empresário Ben Sangari viram-se denunciados na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Coisa de um suspeitíssimo contrato, sem licitação, para fornecer materiais às escolas de Brasília. Fazia parte do escândalo conhecido como mensalão do DEM, acontecido no governo de José Roberto Arruda. Algo em torno de R$ 300 milhões em cinco anos. Após o escândalo, Ben Sangari deixou o Brasil e foi para os EUA, de onde acabou sendo deportado para o Reino Unido, em 2014.

O Instituto Sangari, do qual não mais se ouviu falar, e que curiosamente dava prejuízo, foi vendido e parece estar inativo no Brasil. De Ben Sangari tampouco temos notícias.

O mesmo não acontece com o argentino Julio Jacobo Waiselfisz. Este continua a borboletear na imprensa, não mais pelo Instituto Sangari, mas agora a bordo de outra instituição, a Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (Flacso). E o que faz Waiselfisz pela a Flacso? Exatamente o que fazia pelo Instituto Sangari: alardeia seu Mapa da Violência e tece considerações pouco convincentes para quem conhece do assunto, sobre mortes por assassinato no Brasil. Mais claramente, usa seus “estudos” para defender o malfadado Estatuto do Desarmamento.

Flacso
A história da Flacso no Brasil também não é despida de interesse. Órgão da Unesco, o que de nenhuma maneira atesta atuação isenta do ponto de vista ideológico, a Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais foi criada em 1957, e se instalou por aqui em dezembro de 1990, quando foi assinado convênio com o governo brasileiro. Pelo Brasil assinou o ministro Igor Torres Carrilho, chefe do Departamento Cultural do Itamaraty. No artigo II do dito convênio, previam-se as atividades da Flacso no Brasil: “Atividades de docência de pós-graduação, pesquisa e outras modalidades de cooperação no campo do desenvolvimento econômico e social e da integração da América Latina e do Caribe”. No artigo IX, está previsto um repasse anual de 100 mil dólares por parte do governo brasileiro para a Flacso.

Até aqui tudo bem, se de fato essa quantia de dinheiro público se reverter em ensino de qualidade e pesquisas honestas. Mas se consultarmos o site da entidade no Brasil, veremos algumas coisas que levantam indagações. Por exemplo: a sede da Flacso fica em Brasília, mas os projetos que patrocina têm como coordenadores pessoas como Eleonora Menicucci, Miriam Abramovay, Emir Sader, Marco Aurélio Garcia, Pablo Gentili, Marilena Chaui, Paulo Vannuchi, que também surgem como professores de cursos que ela se dispõe a administrar.

Entre os parceiros da Flacso, por ela listados, estão o Instituto Lula, a Fundação Ford, Petrobrás e vários ministérios. Várias daquelas pessoas representam ao mesmo tempo a fina flor do petismo e a mais retrógrada mentalidade stalinista brasileira, e, ao que parece, nem todos residem no Distrito Federal. E os parceiros ou são suspeitos de interesses fora do âmbito acadêmico, como o Instituto Lula e a Fundação Ford, ou parecem estar ali, como a Petrobrás e ministérios, para fornecer recursos. Se é assim, falta esclarecer em que estão esses recursos públicos sendo aplicados.

A única atividade ligada à Flacso que aparece na mídia é relativa ao tal Mapa da Violência. E aparece sempre, com o mesmo estardalhaço com que aparecia quando vinha pelo Instituto Sangari, que Deus o tenha, defendendo o petista Estatuto do De­sarmamento. Uma sugestão útil para o Brasil e para o governo de Michel Temer seria auditar o dinheiro do Tesouro que está sendo destinado à Flacso, que, via do convênio original, via de doações, contratos, patrocínios e afins que Petrobrás, ministérios e outros órgãos, possa estar a ela sendo repassado. Afinal, é dinheiro público, e está em falta …

Júlio Waiselfisz

Julio Jacobo Waiselfisz: argentino faz contorcionismos numéricos mas já admite, a contragosto, que número de crimes cresce após a vigência do Estatuto do Desarmamento | Foto: Divulgação

Não é segredo para o leitor que uma das ações de controle social do agrado de petistas, psolistas e assemelhados é o desarmamento. Numa manobra muito bem urdida no final de 2003, a súcia conseguiu aprovar o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826, de 22/dezembro/2003) por acordo de liderança e em meio aos pagamentos do petrolão. Tentou na mesma época a censura da imprensa, outra de suas metas de controle social, mas nisso, felizmente fracassou.

Tentou validar, via de um referendo, em 2005, o tal Estatuto, mas sofreu um revés histórico, com voto contrário de dois terços dos eleitores brasileiros. Nem por isso o “socialismo moreno” desanimou.

O resultado do referendo nunca foi respeitado, vale dizer, desrespeitou-se a vontade popular, e o acesso às armas continua tão distante, dado a burocracia criada no governo petista, quanto o era antes do referendo. Acesso legal e regular, diga-se de passagem, pois os bandidos aqui são os mais bem armados e municiados do mundo. Um dos meios usados para o desrespeito a que nos referimos é a cumplicidade da imprensa, ou da grossa maioria das redações dos jornais e dos produtores e artistas televisivos, inclusive de suas muito cultas e educativas novelas. É aí que entra Waiselfisz.

O Mapa da Violência, antes apresentado por outro argentino, Jorge Werthein, que era vice-presidente do Instituto Sangari, foi herança abraçada com fervor pelo conterrâneo Waiselfisz. Ele compõe seus quadros estatísticos com números fornecidos pelo governo, coisa de elaborar algumas planilhas de computador e deita falação, com total cobertura dos “socialistas” patrícios. Tenta miseravelmente defender o Estatuto do Desarmamento, embora os números que apresenta não o ajudem em nada.

Todos estamos vendo o número de assassinatos crescer a cada ano pós-Estatuto. Mas o argentino agora saiu-se com uma que é de achar graça: fez alguns contorcionismos numéricos e afirmou: de fato, o número de crimes cresce, após a vigência do Estatuto. Mas, sem ele, cresceria ainda mais! O competente advogado e estudioso de Segurança Fabricio Rebelo, em artigo nos jornais desmontou a farsa. É como se o argentino tivesse dito, usando nosso futebol: “A Alemanha ganhou do Brasil de 7 x 1, na Copa. Mas se o técnico fosse o Vanderley Luxemburgo, em vez do Luiz Felipe Scolari, seria pior. Posso mostrar que o placar seria de 9 x 1!”

Volte para a Argentina, Waiselfisz. Por suas próprias estatísticas, a criminalidade lá é seis vezes menor do que aqui, como você muito bem sabe. Será porquê lá não existe o desarmamento e a proibição do porte de armas, como aqui? l

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Gravíssima denúncia que precisa da atenção de nossas autoridades do Judiciário. O modus operandi das esquerdas quando tomam o poder.

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